Arte nas casas, artesanato e exclusão social: Pasmado e os paradoxos do Brasil profundo

“Tomara meu Deus, tomara
Uma nação solidária
Sem preconceitos, tomara
Uma nação como nós”

A fim de conhecer melhor a região ao qual está inserido, o @jornaldiarioteo foi conhecer o artesanato do Vale do Jequitinhonha, mais precisamente nas referenciadas Pasmadinho (Itinga), e Pasmado (Itaobim), comunidades rurais separadas apenas por divisões geográficas imaginárias: em uma rua é um lado, do outro o “vizinho”.

Na chegada, após sair da BR-116 e acessar a BR-367, tudo nos conforme. O pneu do carro furou na primeira cratera entre Itaobim e Pasmado-Pasmadinho. A chave de roda estava “luída”, expressão do Vale do Mucuri para gasto. Paramos o primeiro carro visto. A hospitalidade natural dessa terra fez surgir um homem gentil, que disse, sua “chave de roda está “poída’”, expressão local para gasto. A dele também estava, e o segundo carro parou.

Com a chave em mãos trocaram os pneus, não gostaram de dinheiro ter sido oferecido pela ajuda, e durante os trabalhos perguntaram de onde éramos, e como estava a “guerra” na cidade. “Acompanhamos tudo no Diário de Teófilo Otoni”, um patrimônio nosso.

Pasmado-Pasmadinho

É difícil narrar tudo. Um misto de início de século passado, pela beleza, pela cultura, pela historicidade, pela vulnerabilidade social. Um povo alegre, é o Brasil por natureza.

Em casas apinhadas de crianças, e pobreza, é difícil não sair com um desalento no coração, a espinha esfriada, o estômago revirado, e os olhos marejados mirando o sertão. Que estava verde. Oxalá! Indignação e sensações de impotência não falta.

Os artesanatos comprados direto do produtor sai a R$ 10 uma panela de R$ 50 na vitrine da estrada, e R$ 200 nas feiras em T. Otoni ou Belo Horizonte. Uma exploração da palavra Jequitinhonha. É a usurpação que aumenta a pseudo-indignação da gente; E a pobreza. Palavra esta que nos seguiu do início ao fim do Vale, mesmo na beleza do rio que corta o agreste.

É incômodo falar em pobreza quando você conversa com as pessoas face a face e vê o sorriso natural no rosto delas, e sabe que o conteúdo chegará na palma de suas mãos. Mas, Jornalismo é não se calar, é falar o que ninguém mais diz.

Em pleno século XXI;”: ATÉ QUANDO?

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