TEÓFILO OTONI – O jornal Diário de Teófilo Otoni entrevistou o professor Felipe Ribeiro Lemos, autor do livro ‘O Decreto do Fim’, que traz ao público, por meio de um trabalho feito com bastante esmero, causas, circunstâncias que culminaram com a extinção da estrada de ferro Bahia- Minas. Neste bate-papo, o escritor aborda diversos assuntos, como o seu arcabouço teórico, fontes de pesquisa e, sobretudo, satisfação em publicar um material com tamanha relevância histórica. Acompanhe!
Jornal Diário – Gostaria que você relatasse primeiramente acerca da elaboração do livro, quais foram as dificuldades na elaboração e desenvolvimento da obra?
Felipe Lemos – O livro denominado O Decreto do Fim tem como objetivo analisar os motivos que ensejaram a extinção da nossa estrada de ferro a Bahia-Minas. Toda a população de Teófilo Otoni sabe da importância que esta estrada teve para o desenvolvimento desta região, especificamente desta cidade e como ela teve influência inclusive na formação da própria população. Então sempre houve muito saudosismo ao se falar na estrada de
ferro Bahia Minas. A gente fala de uma maneira muito emotiva. Então busquei nessa obra tratar de uma maneira mais racional sobre todos os elementos que envolviam a estrada, trazendo dados econômicos, contextos políticos da época, a mudança de paradigmas com o fim das ferrovias e o início do funcionamento das rodovias, então foi um trabalho muito minucioso, de muita pesquisa. Teófilo Otoni embora tenha algumas leituras a respeito do tema, se tratam ainda de fontes muito escassas. Eu precisei inclusive de fazer visitas a outras cidades, como Belo Horizonte, buscando elementos para trazer novidades. Então nós trazemos dados muito importantes, dados inclusive inéditos, fotografias também inéditas de um dossiê que nós tivemos acesso através da associação dos ferroviários da Bahia-Minas, então acaba que o livro se tornou uma obra muito importante e que vem a somar junto à literatura já existente na nossa cidade. Eu destaco que o livro é gratuito, todas as pessoas que se interessarem por ele poderão ter acesso na sede da UETO ou até mesmo na livraria Papo Café já existem exemplares e também nos próximos dias estaremos visitando as escolas aqui do município para fazer doações de exemplares para suas respectivas bibliotecas e também para a universidade federal, afim de que sirva também de material de pesquisa e de estudo.
Jornal Diário – Felipe gostaríamos que você nos contasse um pouco mais acerca do seu trabalho de pesquisa com as fontes. Exatamente quais tipos de fonte você trabalhou, instituições que visitou para realizar sua atividade de pesquisador? Conte-nos mais detalhadamente como foi este trabalho.
Felipe Lemos – Eu comecei este trabalho ainda durante a minha conclusão de curso em Ciências Econômicas na Universidade Federal dos Vale Jequitinhonha e Mucuri. Literaturas como eu já disse de
autores da cidade de Teófilo Otoni, mas também estive em Belo Horizonte, na Biblioteca Pública Municipal de lá e também no Arquivo Mineiro, tive acesso a jornais que remontam do período da extinção da estrada de ferro Bahia-Minas. Aqui em Teófilo Otoni eu tive acesso aos arquivos da Câmara Municipal, às atas das reuniões do período pesquisado, enfim consegui, felizmente trazer à tona no meu livro todos estes elementos. Também estive conversando com diversas pessoas que viveram esse período do episódio do fim da ferrovia relatado no livro e que então me trouxeram os seus relatos, os relatos de suas experiências e também das suas emoções e sentimentos em relação ao que ocorreu. Então foi um trabalho nesse sentido, de resgate histórico mesmo e de buscar fazer uma triagem desses dados para que pudéssemos proporcionar uma leitura agradável mas também uma leitura objetiva acerca desse assunto tão importante.
Jornal Diário – Acerca da sua idéia de escrever o livro, foi um projeto acalentado por você mesmo desde o início ou houve ainda a participação e sugestão de amigos ou colaboradores? Conte-nos um pouco, caso tenha ocorrido, sobre como foi o diálogo com as pessoas mais próximas da confecção do livro.
Felipe Lemos – Bem, a idéia do livro surgiu primeiramente porque eu sou natural de Araçuaí e moro em Teófilo Otoni há mais de 20 anos. Então eu pensei em escrever algo que tivesse relação com a minha cidade de origem, a cidade em que vivo e ao mesmo tempo tivesse relação com o vale do Jequitinhonha e o vale do Mucuri. E quando a gente coloca isso tudo numa balança, o saldo é muito claro, o ponto de toque é a estrada de ferro Bahia-Minas. A estrada de ferro ela tem relação muito intrínseca nas relações dos vales, nas relações dessas cidades porque eram as principais cidades onde passavam os trilhos. Teófilo Otoni foi a principal estação e Araçuaí era a estação final. E a estrada de ferro também tinha essa ideia, que era ligar Minas ao mar através do porto de Caravelas. Então foi nesse sentido que eu tive essa idéia. E nessa direção eu queria aqui também fazer um agradecimento muito especial ao Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri na pessoa de Iris Soriano e Fani Moreira, fazer também um agradecimento especial ao meu amigo Antônio Simões da Associação Ferroviária Bahia-Minas que também trouxe dados importantes, inclusive fotografias de um dossiê até então inédito, um dossiê da época mesmo da extinção da estrada de ferro com fotografias que até então o grande público não tinha tido acesso. Então foram diversas pessoas que ajudaram, colaboraram, que revisaram este livro. E o livro de um modo geral é também uma forma de contribuição minha ao povo da nossa querida Teófilo Otoni e a nossa sociedade.





